Trata-se de um equipamento sócio-pedagógico, lúdico-desportivo e assistencial infantil da empresa industrial Companhia União Fabril de Alfredo da Silva, edificado em 1950 na Estrada do Rodízio e no sítio do Pego Longo (sobranceiro à Praia Grande do Rodízio), lugar de Almoçageme, Freguesia de Colares, e destinado a funcionar como Colónia de Férias estivais de centenas de crianças e jovens filhos dos respectivos operários e funcionários.

Com a organização temporal de turnos de 21 dias, os jovens preenchiam as suas férias escolares com actividades revigorantes físicas e morais de jardinagem, voleibol, catequese, leitura, cinema, ginástica, canto coral, lavores, trabalhos manuais, dança, teatro, passeios de campo e praia, bem como repouso, tal inserindo-se nos pressupostos ideológicos político-sociais do regime corporativo do Estado Novo (aliando a modernidade e a tradição, a educação e a instrução ao recreio e ao desporto, graças ao ambiente salutar entre a ruralidade serrana e o litoral marítimo).

Este edifício insere-se na arquitectura nacional modernista da “Casa Portuguesa” do arquitecto Raúl Lino, exprimindo ainda propagandisticamente o ecletismo artístico-culturalista preconizado pelo regime corporativo do Estado Novo (da ordenação autoritária enquanto disciplina social e do nacionalismo patriótico enquanto provincialidade familiar).

Contratado em 1948 para traçar este projecto, o arquitecto António Lino (sobrinho do arquitecto Raúl Lino) aplicou o convencionalismo urbano da sua formação académica em pleno ecossistema natural, assim estilizando a “Casa Portuguesa” ruralizante e articulando o compositivismo monumentalista com a prática de desenho classicista. Sob o critério fundamental da distribuição espacial geral ou da urbanização parcial do conjunto, Amtónio Lino harmonizou uma composição de área livre ajardinada e micro-florestada com área construída.

Ao cabo de dois anos decorridos de construção, foi inaugurado, em 10 de Agosto de 1950 (e com a colaboração técnica do Engº. Mário Pires Ventura), um conjunto construtivo periférico de alvenaria de 68218 m2 com traça vernacular e organizado entre vias pavimentadas, curvadas e recortadas, acedendo a um grande jardim e a um bosque frondoso (composto de: residência do porteiro, garagem, zona de visitas e alpendre, bloco clínico e logístico-administrativo, residência da Direcção, edifício de serviços gerais, campos de jogos, parques lúdicos e dormitórios).

A propriedade cessou o seu funcionamento estival após a revolução político-miltar de 25 de Abril de 1974, sendo depois refuncionalizada para a realização de eventos lúdico-culturais periódicos e consequentemente redenominado “Quinta do Mar”.

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