Este edifício residencial sazonal fora edificado em 1872 como moradia estival do Rei viúvo D. Fernando II de Portugal e de sua segunda esposa, Elisa Frederica Hensler, Condessa de Edla, consorciados em 10 de Junho de 1869. A sua construção como pavilhão de recreio fora realizada pelo mestre-de-obras Gregório, sob a condução gráfica da proprietária, introduzindo assim em Portugal a moda desta tipologia arquitetónica e apresentando uma planta rectangular no rés-do-chão e cruciforme no primeiro piso com uma varanda envolvente.

Tecnologicamente, a sua alvenaria exterior imita a arquitetura rústica de madeira, aparentando uma robusta efemeridade acolhedora de construção em trompe l’oeil, tal como ocorre nas molduras forrantes das ombreiras dos arcos quebrados das janelas e dos círculos dos óculos.

Interiormente, a pintura a fresco de eventual autoria de Mestre Domingos Freire (pai do pintor e restaurador Luciano Freire) exprimia-se em aplicações escultóricas de estuque com carácter vegetalista que constituíam uma representação florestal invasora de todo o espaço doméstico social do piso térreo, com troncos de fina modelagem enriquecidos por nervuras de cobre que escalam as esquinas internas e entrelaçam ramagens folhadas nas cornijas, bem como arabescos imitando bordados sobre couro e tecidos de brocado com rendas brancas e galões dourados.

Na sequência do falecimento do Rei D. Fernando II em 1885, a Condessa de Edla torna-se a sua herdeira testamentária principal (sobretudo quanto ao seu património imóvel), transformando-se na nova proprietária do chalé até 1889, quando o vende ao Estado Português, na sequência de uma polémica jornalística incendiária quanto ao testamento régio.

Encontrando-se desde então integrado no Património Nacional, a Condessa terá, contudo, mantido o seu usufruto sazonal estival até à Implantação da República. Após atravessar um longo estado de ruína vandalizante até à ocorrência destrutiva de um incêndio em 2000 o edifício encontra-se a ser reabilitado em 2010 pela empresa pública Parques de Sintra – Monte da Lua, S. A., que tem competência delegada de gestão e tutela desde a sua fundação em 2000.

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