Os vestígios romanos detetados no antigo aglomerado urbano sintrense são, de certo modo, escassos, se bem que inequívocos e facilmente datáveis. Resumem-se, no seu conjunto, a pouco mais do que uma dezena de peças, entre artefactos de bronze, de cobre e cerâmicas.

 

O sítio romano da “Vila Velha” de Sintra

Dentre eles, destaca-se o carneiro votivo de bronze descoberto no Arraçário, uma moeda de cobre datada do século IV, proveniente dos silos da Rua Gil Vicente, e os preciosos materiais exumados na Rua das Padarias e que permaneciam ainda in situ: designadamente um fragmento de uma travessa de terra Sigillata Clara D, de fabrico tardio, isto é, entre os séculos V e VI; uma moeda com cronologia apontando para os finais do IV-inícios seguinte; duas pontas de fuso em bronze e alguns fragmentos de boca de ânforas, para além de um troço de muro, de aparelho irregular e parcialmente destruído, mas muito semelhante a outras estruturas postas a descoberto em estações romanas da mesma época em contexto de uillae neste território.

Via e provável necrópole romanas da Rua da Ferraria

A hipotética via e necrópole romanas supracitadas situam-se sob as atuais Rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Trindade, dentro da malha urbana de Sintra e do Arrabalde. A sua possível existência, todavia, apenas pode deduzir-se através de uma inscrição funerária, provavelmente do século II d.C., patente no CIL II: [DIS . MANIBVS / L . LOREI . L . F . GAL / MAXIMI . ANN . XVI] e descoberta no século XVI incluída numa porta lateral da Igreja Matriz de Santa Maria, bem como através de um fragmento de um capeamento romano, com idêntica datação, que estava reaproveitado como alvenaria numa casa sita na Rua da Ferraria.

Como é sabido, as necrópoles romanas estendiam-se ao longo das vias. Não interessaria muito a maior ou menor importância dessas estradas, mas sobretudo a sua proximidade a um habitat. A presença, durante o século XVI, de uma inscrição funerária romana reaproveitada entre os paramentos da referida paroquial não indica, de per si, a confirmação da existência pretérita de uma via e/ou necrópole romanas. Todavia, a descoberta de vestígios de uso comum sob o tecido urbano do Centro Histórico, induzem a necessidade local confirmante de uma necrópole, hipótese esta reforçada pelo achamento do capeamento de monumento funerário romano encontrado já no último quartel do século XX. Com base nestes elementos e analisando ainda os antigos traçados de ruas e de caminhos da “Vila Velha” e do Arrabalde, parece-nos legítimo propor que uma das putativas vias entroncasse na rede viária do território rural, a Sudoeste da Serra.

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