O sítio de São Pedro de Canaferrim localiza-se em pleno maciço sub-vulcânico de Sintra, entre os 395 e os 402v m de altitude. A área ocupada durante o Neolítico estende-se por dois patamares onde imperam caos de blocos graníticos formando abrigos naturais, na vertente Sudeste do Castelo dos Mouros e em local abrigado dos ventos predominantes de Nor-Noroeste.

Contrariando os padrões de povoamento conhecidos para o Neolítico antigo no actual território português, o sítio de São Pedro de Penaferrim constitui um exemplo de habitat de montanha, tendo-se recolhido, na escavação das ruínas da antiga paroquial de São Pedro de Canaferrim, um conjunto cerâmico com cerca de cinco dezenas de fragmentos cerâmicos com decoração impressa e incisa, por vezes, com aplicações plásticas sob a forma de cordões, asas ou mamilos, aplicados, sobretudo, em recipientes esféricos, vasos de colo e em forma de saco.

Os trabalhos arqueológicos realizados, em 1993, numa plataforma de cota inferior permitiram a identificação de um nível arqueológico selado que preenchia uma fossa escavada na rocha. Os sedimentos caracterizavam-se pela abundante presença de carvões associados a um conjunto artefactual, constituído, essencialmente, por fragmentos cerâmicos – num potencial conjunto de oito vasos – pedras lascadas e

afeiçoadas.

Este contexto preservado possibilitou a recolha de duas amostras de carvão, para as quais se obtiveram duas datações de C14, apontando para uma ocupação da charneira do VI para o V milénio BC, coincidentes, aliás, com os resultados obtidos para outros locais da bacia mediterrânica Ocidental.

Durante estes trabalhos, que se prolongaram até 1995, detetou-se também uma complexa sequência estratigráfica islâmica e pôs-se, igualmente, a descoberto parte de uma necrópole medieval.

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