presidenteOs mitos assumiram, ao longo dos tempos, características mágico-simbólicas que, para além de agirem como catalisadores sociais e religiosos, foram evoluindo conforme as necessidades próprias das comunidades, perpetuando-se, assim, na memória colectiva. Na Serra de Sintra, este facto reúne diversas efabulações que encontraram desde a época romana até à reconquista cristã diversos intérpretes que vão desde o historiador Varrão ao cruzado Osberno.

Mais tarde, D. João de Castro inaugurou o povoamento da falda norte da Serra mantendo a paisagem tal como a encontrara e que designou como local ameno (locus amoenus). 

As pequenas ermidas que povoaram a Serra por iniciativa do infante D. Luís e que consagraram a percepção mística do Monte da Lua encontraram no austero Convento dos Capuchos, entranhado em gigantescas fragas, o cúmulo da sua arquitetura orgânica. 

Esta Serra mágica, tantas vezes mergulhada em espessas neblinas, foi redescoberta nos finais do século XVIII, e encontrou no Diário de Beckford a sua mais pungente descrição romântica: «Há ali um pequeno terraço rectangular, sombreado por um fantástico sobreiro, de onde se descobre romântica vista de Sintra: altos arvoredos de variada folhagem, montes de raízes contorcidas e troncos de velhos castanheiros (...). E, ao alto desta cena agreste, três picos de rocha em agulha, sobre um dos quais, o do meio, se elevam os campanários e os muros de Nossa Senhora da Pena, convento de frades Jerónimos, frequentemente perdido entre as nuvens». 

Surge assim, a par com o neoclassicismo de Seteais um novo movimento assente na amálgama de formas, de culturas e de religiões.

Com efeito, o ecletismo é a imagem de marca do Romantismo que se revela numa aparente desordem de linguagem e de formas que marca a beleza singular do Palácio da Pena, o orientalismo de Monserrate, o pavilhão neo-mourisco da Quinta do Relógio ou a original Quinta da Regaleira a carecer de uma explicação que vai muito para além das suas opções arquitectónicas. 

Finalmente uma palavra para os Parques Botânicos de Sintra povoados por plantas oriundas das sete partidas do Mundo, emoldurados de mil verdes e que nos convida a partilhar o espírito deste lugar único em que a magia feita de cor apela à transcendência. 

A classificação da UNESCO, como Património Mundial/Paisagem Cultural em boa hora fixou a unicidade deste cenário intemporal feito de exuberâncias naturais e arquitectónicas. 

Basílio Horta :: Presidente da Câmara Municipal de Sintra

 

38047’00,00’’ N

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